21 de março de 2010

Faltas-me

Quero ter-te, sentir-te, possuir-te, gozar-te.
Não a qualquer preço, nem de qualquer forma, quero ter-te sim, mas com qualidade, com paz, com a sabedoria e a mestria daqueles, poucos, que realmente te amam e que, ao fim e ao cabo, te merecem.
Quanto mais por mim passas, mais te desejo, mas não assim como agora nos relacionamos, assim não, assim custas-me, massacras-me, molestas-me.
Não fazes por mal, bem sei, são as circunstancias da vida que a isto levaram.
Cumpre-me a mim mudar, saber esperar, mas nunca desistir de ti, isso nunca. Se o fizesse morreria fulminado pelo desgosto no instante seguinte.
Irei em tua busca o mais rápido que posso, mas bem sei que para te ter como te desejo não posso queimar etapas, tudo terá de ser vivido e sentido plenamente para que, quando finalmente pudermos consumar a nossa relação, tu e eu estejamos na mais perfeita sintonia e nos possamos fundir num só para todo o sempre.
Lá chegaremos, meu querido ... TEMPO.

9 comentários:

  1. Ó Eduardo mais vale faltar tempo e a gente andar por cá, do que sobrar imenso ...

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  2. Rui, dizem que em cada poeta há um louco. Eu louco já sou, agora poeta ...

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  3. É verdade FP, mas não levas a mal de eu querer andar por cá e com tempo (de qualidade), pois não ?

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  4. Eu? Era o que mais faltava, Eduardo! Que andes por muitos e longos minutos.

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  5. Minutos a somar a minutos dão o quê? Horas! Horas a somar a horas dão dias ... e assim sucessivamente!

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  6. Eduardo
    Mas que belo e profundo texto. Esses meninos que comentaram antes, só brincaram, mas o assunto é bem sério, e o texto merece ser divulgado (posso, um dia destes?).
    A relação dos da nossa geração com o tempo está bem desenhada no seu texto poético.
    A parte final, bom, a perfeita sintonia... não sei, cheira-me ao definitivo fim.

    Era muito bom que nós conseguíssemos essa sintonia durante a vida, enquanto temos saúde.
    Era preciso reformular todo o nosso modo de viver nestes TEMPOS pós-modernos e pós-contemporâneos.
    Era preciso voltarmos ao antigamente. Ah? Também sou louca? Já estivemos mais longe!

    Parabéns e um abraço

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  7. Obrigado Benjamina.
    Sim, divulgue à vontade. Se o escrevi e pus aqui, foi precisamente com o gosto não só de o escrever, bem como de o partilhar com quem o lê.

    Eu não tenho é palavras para lhe expressar a satisfação que tive quando li a sua análise ao texto. Porque você captou até ao mais profundo pormenor a minha mensagem, especialmente quando focou a necessidade de "...voltarmos ao antigamente...". As vezes que eu tenho falado sobre isso Benjamina ! porque se é verdade que esta sociedade evoluiu em termos tecnológicos, não é menos verdade que involuiu em termos humanos. E quanto a mim, um das maiores perdas que homem teve foi o de gozar o seu tempo, o de ter tempo de qualidade que lhe permita viver e não apenas sobreviver.

    Bom ! vai longa a prosa e isto dava para muito mais.

    Um grande beijinho e uma optima semana de ... tempo (de qualidade).

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