14 de maio de 2010

(Fraco) Desenvolvimento Humano.

A dependência financeira é, actualmente, o maior obstáculo ao desenvolvimento humano.
Na esmagadora maioria das sociedades actuais, as pessoas nascem, estudam, especializam-se e vivem uma vida inteira de trabalho, vulgo carreira, no mesmo sector, vivendo uma vida feita de repetições.
A repetição de tarefas, de acções, de realidades, é, por ventura, um dos factores de maior castração ao desenvolvimento humano.
A pessoa que faz sempre o mesmo não aprende nada de novo, embrutece, estupidifica e não evolui.
É fácil dizer que quando alguém se sente estagnado, saturado e parado no seu desenvolvimento humano, deve procurar dar novo rumo á sua vida. Mas na grande maioria das vezes tal é, simplesmente impossível.
Quem é que emprega, hoje em dia, alguém com idade acima dos, por exemplo, 40 anos, e sem “curriculum” feito numa determinada área?
Praticamente ninguém.
E mesmo que isso aconteça, regra geral, será por um salário substancialmente inferior àquele que a pessoa auferia na área onde se tinha especializado.
Ora, na maior parte das vezes a pessoa quer mudar, evoluir, tornar-se mais produtiva, sair do marasmo, mas as suas despesas permanecem iguais, não permitindo assim que a mudança se realize.
Posto isto, é fácil chegar-se à conclusão que o fraco desenvolvimento humano que actualmente se verifica, deve-se, grandemente, à dependência financeira em que a grande generalidade das pessoas vive.

13 comentários:

  1. "A pessoa que faz sempre o mesmo não aprende nada de novo, embrutece, estupidifica e não evolui."

    Este paragrafo, tal como todo o post, relata uma verdade absoluta. Abraço.

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  2. Diacho, que o Renato tirou-me a citação dos dedos! :)) Mas realmente uma ditadura imposta por tecnocratas, que visam o lucro e vivem na ganância, que não olharam a meios para atingir fins, que desumanizaram ao longo de décadas a sociedade, tornando o homem num ser de Orgaziçao em vez de animal gregário, que é a sua Essência e Natureza... viver em grupos e não com um papel pré definido numa Organização, teria de ter consequências catastróficas. A tua conclusão além de real, é muito triste e ainda só agora está a começar... pelo menos nos ditos Países desenvolvidos. O pior ainda está para vir... a infelicidade de vivermos num Mundo, onde não somos mais que uma peça de uma máquina gigantesca, descartável e automatizada. É só a ponta do iceberg.

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  3. Mas é uma verdade que dói Renato. E dói ainda mais quando por feitio se gosta de evoluir constantemente.

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  4. Estás coberta de razão Helena. Mas eu ainda tenho esperança que surja uma revolução social de âmbito (quase) mundial que inverta o rumo dos acontecimentos.

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  5. Cham-se a isso a terceira G.G....muito triste, mas será o que vai acontecer. não te esqueças ao que levou a crise de 1929... penso que agora, vai de uma forma ou de outra, levar ao mesmo. :((

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  6. Eduardo, também é verdade na maioria dos casos é o álibi para não mudar rigorosamente nada; mudar implica algum desconforto, logo...

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  7. Helena, penso que desta vez não chegará tão longe. Apesar de tudo a inteligência humana e as atrozes experiências anteriores de g.g. ainda estão bem frescas nas memórias de todos para que tal cenário se repita, pelo menos nos moldes de uma g.g.
    Que iremos passar por uma fase de enormes tumultos sociais, isso sim, acredito piamente que é o que se irá passar, mas não chegando ao ponto de uma g.g.
    Acredito que estaremos mais na aurora de uma nova "Revolução Industrial" que perto de uma g.g.
    Serão os movimentos sociais, sindicais, de protecção do ambientee a revolta do povo que farão "mossa" e mudarão as actuais realidades sociais, que propriamente as armas.

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  8. Sabes Paulo, durante muito tempo também analisei este problema por essa prespectiva, a de que as pessoas tendem a procurar zonas de conforto, evitando ao máximo entrar em desconforto.
    Mas aprofundando mais a minha análise chego à conclusão que os que assim pensam e agem, nem chegam a preocupar-se se estão ou não em estagnação no seu desenvolvimento humano, esses são os "peões de brega" que servem os interesses instalados. Os que pensam e sofrem com o estado de coisas, e buscam a sua contínua evolução, esses sim, esses é que na sua grande maioria se enquadram no que escrevi no post.
    E nem estou com isto a enveredar por um discurso elitista, nada disso, apenas a relembrar que na história da humanidade sempre houve os "peões de brega" e os outros que almejam algo mais e que forçaram o Homem a evoluir. E só com a existência de todos é que a espécie evoluiu.
    O que acima de tudo pretendo referir é que se criaram condições de tal forma "castrantes" que o Homem pode estar a colocar a si mesmo o fim do seu desenvolvimento.

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  9. Eu entendo o teu ponto de vista e concordo que a nossa vida está demasiado "presa" aos ditames da sociedade; e isso torna a "mudança" muito mais difícil. E se a tua mudança implica a mudança de terceiros (mulher e filhos), na maioria dos casos o desafio passa a ser um "sonho".
    Portanto, "mudar o mundo" implica (quase sempre) custos pessoais que não estamos dispostos a pagar, ou que não queremos que outros paguem; e, por isso, são poucos os que o fazem.
    Era este o objectivo do meu comentário.

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  10. Tocaste noutro ponto fulcral da questão Paulo, os terceiros (mulher/marido e filhos) são parte deveras importante da equação.
    E agora, ao reler o meu comentário, vejo que importa aqui um esclarecimento. Quando disse "...os que assim pensam e agem, nem chegam a preocupar-se se estão ou não em estagnação no seu desenvolvimento humano, esses são os "peões de brega"...", referia-me única e exclusivamente aos que pensam em não sair da zona de conforto.
    É que depois de reler o que escrevi, fiquei com a nítida sensação que podia ficar no ar que te estaria a chamar "peão de brega", o que jamais me passou pela cabeça.
    Prezo muito o meu bom amigo Paulo, e sei que de "peão de brega" não hás de ter nada.
    Portanto fica aqui o esclarecimento, que isto ás vezes, munidos das melhores inteções, podemos, sem querer, ferir alguém imerecidamente.

    Aquele abraço e um grande fds

    Que eu agora vou para um arraial, aqui nas Galveias para comemorar o título do SLB. Um borrego, dois porcos, patos, galinhas, vinho a rodos e pão para todos.

    É a festa do Povo o meu Benfica.

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  11. Não tens que te preocupar porque isso nunca me passou pela cabeça, Eduardo.
    Aliás, como referi anteriormente, percebi perfeitamente o sentido das tuas palavras e concordo que isso é que nos está a acontecer.

    Também é verdade que o borrego, os porcos e as galinhas não têm culpa que o benfica tenha ganho!:)))

    um abraço,

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  12. Adorei esta conversa, sapiente e esclarecedora, todos cobertos de razão! Até porque isto nunca iria ser uma G.G: como a 2ª, pois é umaluta de esravos (manipulados) contra senhores (manipuladores) e não entre senhores!... logo, as condicionantes e pelo menos para já, são diferentes.
    Mas a última achega do Paulo,(o último parágrafo) atirou-me de cangalhas! ahahahaha
    Boa... Grande Paulo! :O

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  13. grande parti do desenvolvimento da nacão Brasileira é economica

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