30 de junho de 2010

Nova Barca do Inferno.

Queiroz prometeu-nos, ainda antes da partida para o Campeonato do Mundo na África do Sul, uma nova epopeia repleta de conquistas com os nossos novos Navegadores do pontapé na bola.
O problema começou ainda no cais de embarque, onde não soube ser criterioso e, ao invés de embarcar na Nau que nos permitiria voltar a dobrar o Cabo das Tormentas, colocou-se a ele e a todos os demais numa nova e autêntica Barca do Inferno.
Logo à partida, já todos sabíamos que teríamos de carregar com o Onzeneiro do Gilberto Madaíl, com aquele seu apego ao poder e tácticas de usura como só ele domina.
Como também já vem sendo hábito nestas ocasiões, o nosso Joanantão, que dá pelo nome de António Simões, disse presente. Leva o ano a tecer críticas a tudo e a todos, mas depois, quando toca ao protagonismo, lá veste o seu aventalzinho de sapateiro e vai pregando umas meias-solas aqui e ali.
Queiroz, que também tem o seu narizinho num plano bem elevado, não despe a pele de D.Anrique, nosso Fidalgo destas coisas da bola, e jamais abre mão do seu Pajem de sempre, Agostinho Oliveira.
Já de há muito que era sabido que tínhamos entre nós uma Brísida Vaz, de sotaque Brasileiro e que dá pelo nome de Deco. Alcoviteira sem limites, como atestam os seus venenosos comentários, e uma verdadeira meretriz do pontapé na bola.
Não contente com isso, D.Anrique "Queiroz" ainda chamou a bordo um "levezinho" Frei Babriel, que só consumou o seu amor à Igreja Portuguesa, depois de perceber que a sua dama (selecção) Brasileira jamais assumiria consigo relação legal e duradoura.
E para cúmulo, D.Anrique "Queiroz" ainda nos trouxe, na forma de presente envenenado, um Judeu para bordo, de seu nome, Ricardo Costa. Sim, porque a jogar mal daquela maneira, só pode ter sido judiaria !
Como se tudo isto não bastasse, e com medo de nos faltar elenco para que o Auto seguisse o seu rumo, ainda nos calharam em sorte dois árbitros, um contra o Brasil, outro contra a Espanha, que desempenharam na perfeição os papeis de Corregedor e Procurador.
O que é aqui falta ?
Está bom de ver, falta o Joane (parvo) Cristiano, que coitado, tem tanto de habilidoso com os pés como de inábil com os neurónios, e ainda, os desgraçados dos quatro Cavaleiros que foram, a meu ver, o Eduardo, o Ricardo Carvalho, o Coentrão e o Hugo Almeida. Eles bem se esforçaram, mas não chegaram para a armada de Castela.
Dirão os mais atentos, falta o Enforcado.
Não falta meus bons amigos, não falta. O Enforcado somos todos nós, que ainda acalentámos esperanças de ir esquecendo a crise à conta da selecção, mas nem isso meus amigos, nem isso eles nos deram.
Sabem o que vos digo ?
Se dependesse de mim, no regresso, dava-lhes era uma boa dose de ... samicas de caganeira !

5 comentários:

  1. Mas que orgulhosa me sinto! Que bem que o menino aprendeu Gil Vicente. Olhe que nada lhe falhou!
    Adorei o seu texto, claro! Uma paródia muito bem forjada e deveras pertinente!
    O que eu ri! Obrigada por este momento tão hilário, mas, ao mesmo tempo,de alerta perante os "almários de mentiras, os cinco cofres de enleos, guarda-roupa de encobrir e três arcas de feitiços que não podem mais levar!" (texto adaptado, Cena da Brizida Vaz, "Auto da Barca do Inferno").
    Bravo, Eduardo Miguel!

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  2. Por acaso adorei ler e estudar Gil Vicente. E estava sempre mortinho para que você me pusesse a ler as partes do Joane, para dar largas à minha constante irreverência daquela altura. Joanices !
    Mas hoje, quando me surgiu a ideia de escrever o post, vi-me obrigado a ir rever umas partes, porque já não me lembrava de forma clara de todos os personagens. Acabou por ser um bom exercício de "alembradura".

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  3. Ora aqui está uma boa dose de criatividade.

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  4. Penso que o sucesso da Selecção portuguesa no Mundial já estava condenado ao fracasso através de uma convocatória inicial inquinada. De facto, desde opções maioritariamente defensivas que encurtaram o poder ofensivo, passando por naturalizados birrentos em fim de carreira, juntou-se uma gritante falta de ambição. Ao nacionalismo bacoco de cerveja na mão, exacerbado com a goleada à pior selecção do Mundial e apoiado no histerismo da imprensa desportiva, acrescentou-se a vaidade do capitão, ameaçando imolar-se em ketchup! Bastou um tiro da armada invencível para afundar a nau Catrineta, pondo a nu os pecados da FPF, refém de interesses económicos e clubísticos, ou não tivesse esta perdido o estatuto de utilidade pública desportiva.
    http://dylans.blogs.sapo.pt/

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