8 de setembro de 2009

Aberração motociclistica


O Governo introduziu no passado mês de Agosto uma alteração ao Código da Estrada, permitindo que os condutores com mais de 25 anos e habilitados a conduzir veículos de categoria B (ligeiros de passageiros), passem a estar também habilitados á condução de veículos da classe A1, ou seja, motociclos até 125 cc.
Quando anualmente se gastam fortunas em campanhas de prevenção rodoviária, que visam a redução do número de acidentes e consequentemente do número de feridos e mortos daí resultantes, só posso ver esta medida como algo de profundamente contraditório e impensado.
Será que aqueles que analisaram (e terão mesmo analisado ?) esta questão já alguma vez conduziram um motociclo ?
Terão eles noção que, mesmo tratando-se da mais baixa cilindrada da classe de motociclos, estamos a falar de veículos que fazem tempos dos 0 aos 100 Km/h muito inferiores à grande maioria dos automóveis que circulam nas nossas estradas e que atingem velocidades superiores aos 120 Km/h ?
Não devem ter noção alguma da aberração de lei que aprovaram e dos problemas que, seguramente dai advirão.
Deixem-me dar aqui dois exemplos que, sendo absurdos, não deixam de ser possíveis e que só atestam a “alarvidade” cometida.
Imaginemos que um individuo com carta de condução de categoria B, não sabe andar de bicicleta, mas como é aventureiro ou não regula bem, decide comprar uma mota de 125 cc para ver se aprende a andar de mota. O mais certo é que esse individuo se mate em menos de 15 minutos, ou que pelos menos fique gravemente ferido ou até incapacitado para o resto dos seus dias. E tudo isto com a devida aprovação do nosso Governo.
Ou então, para não dar um exemplo tão absurdo, vou dar aqui outro que também não deixa de ser possível.
Imaginemos que, por exemplo o meu querido Pai, decide agora comprar uma mota até 125 cc para dar uns passeios. Eu não me preocuparia, não fosse ele ter 75 anos de idade, não sentar o rabo, nem sequer numa bicicleta, há mais de 20 anos, já não ter bons níveis de visão, e ainda piores de audição, e nem me vou referir á falta de agilidade bem própria da sua idade.
Enfim, eu só consigo tirar daqui uma de duas conclusões, ou foram irresponsáveis ao aprovarem tal lei (nº78/2009) ou então, não é descabido pensar que houve alguém que beneficiou, e muito, ao conseguir fazer aprovar tamanha aberração.
Sou motociclista há 23 anos, ando todos os dias de mota, e penso que, em particular as nossas cidades, muito lucrariam com o aumento do número de motociclistas e respectiva redução de automobilistas.
Mas não aceito isso a qualquer preço, muito menos quando o preço a pagar seja a própria vida ou a incapacidade física das pessoas.
Espero bem que esta lei seja revista e, obviamente, revogada.

2 comentários:

  1. Absurdo, Eduardo?! Houve aqui um rapaz, que pegou na 750cc que o pai lhe deu e foi morrer passados segundos à porta (500m) de casa. Concordo com tudo o que disse, é horrível o que se passa em Portugal.
    Tem de passar no sustentabilidade...

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  2. Eduardo,
    Apenas facilidades e depois é o que se vê.
    Bem visto.

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