13 de setembro de 2009

Acabe-se de vez com esta Rosa Alaranjada.

Tal como era de esperar, Sócrates esmagou Ferreira Leite no debate de ontem.
E por mais estranho que possa parecer, eu fiquei satisfeitíssimo que tal tenha sucedido.
Só tenho pena é que esta situação não possa ser devidamente aproveitada pelo Povo Português, dada a sua falta de cultura política.
Durante décadas que a grande franja do nosso eleitorado, que são os indecisos, e que vão votando á vez entre PS e PSD, o fazem baseados na falsa sensação do voto útil.
Mas útil para quem ?
Para o Povo nunca o há de ter sido certamente. Há de ter sido, e foi-o seguramente, para que pudéssemos assistir ao crescimento político de personagens que, num País onde houvesse a menor cultura política, teriam morrido á nascença.
É necessário que as pessoas parem, pensem, usem um bocadinho da sua inteligência e apelem á sua memória e parem de vez com esta acefalia do voto útil, que ora cai para o lado do PS ora cai para o lado do PSD.
Foi através deste voto útil, a que eu prefiro chamar voto estúpido, que nós conseguimos ter os últimos 4 brilhantes 1º Ministros que tivemos e que colocaram o País onde colocaram.
Chega ! é tempo de se votar efectivamente de forma útil, e para o fazer já não restam dúvidas, depois do que se tem visto nos últimos tempos nesta campanha.
O PS governou como governou nos últimos 4 anos e deixou-nos no estado em que estamos. Governou com base na mentira, com base no abuso de poder, que de forma continuada abafou os escândalos, e foram vários, que envolveram o 1º Ministro e que num País com cultura política teria valido a queda do Governo.
Do lado PSD temos uma líder, prepotente, arrogante, ditatorialmente determinada e disposta a retirar-nos a democracia em que vivemos. Disse ela que seriam por 6 meses, eu acredito que com ela, seria para sempre.
Restam duas hipóteses, ou o voto útil cai à direita, ou cai à esquerda, o que equivale a dizer que já só resta uma hipótese, pois ninguém no seu perfeito juízo entregará, em especial na conjuntura actual, o seu voto a um CDS que, a meu ver, até tem nas pessoas do seu líder e do deputado Nuno Melo os únicos políticos capazes (para quem se reveja nas políticas neoliberais de direita), mas ainda assim insuficientes de se constituírem como uma real opção para formar governo.
Chegámos, por exclusão de partes á esquerda, mas também aqui há que ter cuidado, é que há a esquerda do PCP e a esquerda do Bloco. São esquerdas, uma e outra, têm grandes afinidades, mas vejo um Bloco cada vez mais vaidoso, mais embevecido com os resultados favoráveis das ultimas eleições, e quando assim é, há que ter cuidado, porque quem assim reage, deslumbra-se com facilidade se chegar ao poder.
Já no PCP, vejo finalmente, com a liderança de Jerónimo, um PCP rejuvenescido, livre de algumas amarras do passado, e que defende políticas económicas, financeiras e sociais que vão de encontro áquilo que são as expectativas do Povo. Acima de tudo vejo um PCP que aligeirou o seu aparelho partidário, que o tornava num partido demasiado inflexível e incapaz de gerar confiança absoluta naqueles que, como eu, sendo de esquerda, não são necessáriamente Comunistas.

8 comentários:

  1. É assim mesmo Eduardo!
    Adorei essa do voto estúpido! :)
    Estou a ver que dentro das poucas escolhas saudáveis que há, escolheu uma delas, independentemente dos preconceitos políticos históricos em relação ao PC.
    Quanto ao debate, deu-me a sensação que concordaram um com o outro em quase tudo, Sócrates gosta das PME´s, Ferreira leite gosta da Segurança Social, do Serviço Nacional de Saúde...enfim, o debate serviu apenas, para lavar roupa suja e eles têm tanta!
    Este centrão ainda existe devido à estupidez, por um lado, e ao oportunismo por outro. Gerou um País sem eira nem beira, sem ética e sem vergonha política. Está tudo podre, mas ou é de mim, ou as maiorias gostam, com licença, de nadar na merda!...

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  2. Fada,
    acabei por expressar de forma totalmente aberta a minha posição política actual apenas porque acho que chega a um ponto em que, quem se preocupe verdadeiramente com a situação do País, não deve ter pejo em dizer o que pensa, e com isso tentar chamar os demais á razão.
    É obvio que nem todos, aliás muito poucos, concrdarão comigo e com a minha posição. Mas como eu entendo que a minha posição, neste momento, é a correcta, trato de espalhar a palavra e com isso tentar sensibilizar outros para a "causa".
    Devo ter sido contagiado com a febre da campanha. Antes isso que Gripe A !

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  3. Acho que o Eduardo é uma pessoa extremamente sensata.
    Não é como alguns que conheço, que rodopiam como catavento... e o que há meses era mau ou medíocre, na campanha, tornou-se o melhor para o País e para o povo! Esses, até se dão ao luxo, de fazer clubismo e claque! Ora esses é que devem ter apanhado algum vírus... provávelmente o mais comum e voraz, a falta de ética!
    Cheguei a temer que fosse para o antigo sabão... :))

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  4. Concordo com a Fada do Bosque quando diz que não existem muitas escolhas saudáveis, e esse é o drama de quem quer tomar a opção correcta.
    Por isso, a questão do voto útil - se se colocar - apenas tornará a decisão mais difícil para uma boa parte do eleitorado.
    Temos apenas que votar (ou não) conscientemente naqueles em que acreditamos.

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  5. Duvido que partidos que se regem por uma ideologia/sistema económico que onde quer que tenham sido aplicados se traduziram na pobreza generalizada da população, excepto nos membros do partido, se possam considerar de esquerda.

    A questão não é o voto útil: é que os dois do costume (mais o apêndice) são maus, mas os outros seriam ainda piores. Eu não tenho dúvida nenhuma disso. E, como sabes, até já fui militante do BE, com a esperança (estúpida, sei-o agora) de que pudesse ser a voz da consciência do Partido Socialista, que será sempre o meu partido natural (embora na prática tenda a resvalar para a direita), mas no qual vou votar pela primeira vez.

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  6. Obviamente que o voto útil interessa sobremaneira aos dois maiores partidos do nosso arco constitucional pois são eles os que, à partida, têm as melhores condições para assegurarem a dita alternância democrática.

    O problema é que das suas práticas legislativas e governativas pouco de bom nos tem saído.
    A culpa é única e exclusivamente deles?
    Não. Primeiro, porque com o nosso voto podemos sempre alterar qualquer coisa conquanto tenhamos a coragem de encontrar e apostar noutras soluções; depois, porque os políticos (como bem gostamos de apontar) saíram do nosso meio. No fundo, são o espelho daquilo em que, provavelmente, ,muitos de nós se transformariam se tivessem essa oportunidade.

    Lamento sinceramente que o Partido Socialista tenha desperdiçado uma oportunidade quase soberana para realmente ter reformado de alto abaixo o Estado e a própria Nação. Deixou-se enredar (em muitos casos) em práticas de mera cosmética e permitiu ou deu voz excessiva aos habituais sargentos e cabos de esquadra que pululam nas segundas linhas.

    Subscrevo uma parte substancial da sua análise, embora não partilhe em absoluto da parte relativa ao PCP.

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  7. Rui,
    a ideologia/sistema económico a que te referes, foi efectivamente assim, e sabes bem o quanto me revoltava. Entretanto já houve uma Perestroika, o muro de Berlim já caiu, e muito sinceramente parece-me que o PCP também já derrubou esses "muros".´

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  8. Ferreira Pinto,
    partilho da opinião de que o PS perdeu efectivamente uma oportunidade única de fazer mais e melhor, e de reformar, pois atendendo á conjuntura era muito mais fácil explicar e fazer valer determinadas reformas.
    Quantas vezes pensei e desejei, poder vir a arrepender-me da minha condição de natural de anti-PS (o que levaria muito tempo a explicar devidamente), mas infelizmente continuam a dar-me razão.

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