27 de outubro de 2009

Aproveitamento das águas pluviais

Mais um Inverno se aproxima, mais chuva virá (pelo menos assim se espera), e mais um ano se passa sem que eu constate melhorias ao nível do aproveitamento das águas pluviais.
Ainda na semana passada, aquando das fortes chuvadas de 2ª e 3ª feira, pude observar o triste espectáculo que é, ver todos aqueles milhares de litros de água escorrerem rua abaixo e sarjeta adentro, sem que se criem mecanismos de aproveitamento deste bem tão precioso e cada vez mais escasso que é a água.
Eu, que sou um acérrimo defensor do reforço do poder local, sou também, neste aspecto em particular, um crítico relativamente à inércia que a maioria das Câmaras Municipais têm demonstrado nesta questão.
Muitas são as áreas e as soluções que poderão ser implantadas, para que se obtenha um maior aproveitamento das águas pluviais, mas há uma área em particular que me chama maior atenção, que são os jardins, ou espaços verdes, públicos.
Todos gostamos certamente, que as nossas cidades e vilas tenham bonitos jardins e aprazíveis zonas verdes para que possamos delas usufruir nos nossos tempos livres. Mas essas áreas são autênticos sorvedores de doses industriais de água, sendo que, na maior parte dos casos, essa mesma água, que é usada única e exclusivamente para rega, provem da rede pública, ou seja, água potável, que é um bem preciosíssimo e que é ali esbanjada de forma inaceitável.
E a solução para minimizar este desperdício é tão simples, que me espanta e indigna que nada, ou praticamente nada, seja feito para resolver a questão.
Bastaria que em cada jardim ou espaço verde, fosse reservado um espaço para construção de tanques subterrâneos para onde se encaminhariam as águas pluviais, isto á imagem dos sistemas que já hoje existem para as habitações. Esses sistemas, no caso concreto dos jardins ou espaços verdes, nem precisariam de sistemas de filtragem tão eficientes como os que já existem para as habitações, dado que a água aqui armazenada visa unicamente a rega.
E se se quiser juntar o útil ao agradável, ainda se pode depois, ter um sistema de bombagem dessa água para rega, assente em energia solar, através de painéis fotovoltaicos, semelhantes àqueles que já hoje existem para algumas iluminações públicas ou sistemas de semáforos.
O custo de instalação destes sistemas é reduzido e o lucro ambiental seria tremendo.
Será assim tão difícil de entender isto e de levar à pratica tão simples projectos ?

11 comentários:

  1. Infelizmente a poupança de água a sério só começará no dia em que o seu preço traduzir a sua escassez, isto é, quando os povos que vivem praticamente sem usufruir dela reclamarem a sua fatia e nós tivermos que reduzir o nosso consumo e desperdício. Era bom que a aposta nas renováveis fosse acompanhada pelo reaproveitamento das águas, mas, como bem disseste, esse é um sector dominado pelos municípios que, em geral, carecem de decisores com visão. Assim, em vez de prepararmos o futuro, vamos um dia ser atropelados pela sua evidência. Vai certamente custar muito mais.

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  2. Não é que seja difícil de executar, o problema é que não dá votos e isso é uma chatice.
    Paralelamente, enquanto os próprios cidadãos conviverem alegremente com regar jardins públicos com água da companhia, fugas de água dias a fio ... acho que pouco há a fazer.

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  3. Se calhar o problema é precisamente as Câmaras (não sei se todas ?) terem o controlo sobre as águas, e com isso não terem de se preocupar grandemente com esses custos. Tivessem eles que pagá-la a outros preços e se calhar já o cuidado seria outro.

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  4. Segundo li algures: estima-se que as perdas, devido ao mau estado das "condutas", representem cerca de 40% do consumo; mas também me parece que esta brutalidade pouco preocupa os nossos eleitos.

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  5. 40% das perdas nas condutas?!
    Este País não pára de surpreender!!!
    Realmente temos todos razão para ficar indignados!
    mas é como diz o Quinn. não dá votos!
    E como diz Orlando Castro, neste País a norte mas cada vez mais a sul de Marrocos, é de esperar tudo!
    Apre!!! só me dá vontade de saír com uma bazuca e limpar o sebo aos nossos corruptos dirigentes. Desde as bases até Belém!

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  6. Paulo, e sabe porque é que pouco preocupa aqueles que elegemos ?
    Olhe lá para a sua factura da água e veja lá a quanto é que está a pagar o m3 de água.
    Somos nós que pagamos esses desperdicios, e como tal, os eleitos borrifam para o despedicio.
    Mas quando não correr gota, independentemente do preço, aí é que a "porca torce o rabo" !

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  7. Fada, realmente isto revolta, mas guarde lá a bazuca, porque você limpava estes e logo de seguida tinha lá outros iguais.
    Solução para isto ?
    Olhe sinceramente não sei !
    Se calhar isto tem de bater mesmo no fundo para se reerguer das cinzas.

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  8. Como Fénix?! duvido... vá ao blogue do Garcia Pereira, vai ver que é capaz de haver solução doutra forma... de Espanha. Entretanto, "deixei" este seu post no blogue "nossa candeia", mas identifiquei autor e blogue... :)) é que vinha mesmo a calhar!... e falei na bazuca outra vez!... :))))

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  9. Eduardo
    Excelente "post", com uma ideia que mais parece o ovo de Colombo: muito simples! E não me parece que o investimento seja assim por aí fora.
    É de facto uma necessidade reduzir o desperdício de água. No caso das autarquias, através de sistemas como o Eduardo aqui fala, mas também através de espaços verdes menos gastadores de água. Há locais em que não se justifica a "relva", que exige grandes quantidades de água.
    Precisa-se muito de sustentabilidade nos projectos, de construção e de espaços exteriores.

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  10. Fada, fez bem, tudo o que pudermos fazer para sensabilizar as pessoas para a poupança de água é sempre bem vindo.
    Quanto à bazuca, tenha cuidado com isso, olhe que isso mata que se farta :-)))

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  11. Tem toda a razão Manuela, há espaços que não devem ter relva. Aqui em Almada, começaram a fazer rotundas temáticas (construção naval por exemplo) onde não há relva, precisamente para diminuir consumos de água. Mas a desinformação das pessoas é de facto assustadora, pois houve logo um côro de protestos, e até intitularam a Sra. (Presidente da Câmara) de Rainha da Sucata :-)))
    Isto vai levar algum tempo até que a mensagem passe, mas havemos de lá chegar.

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