13 de outubro de 2009

Sobreiro trava deserto

Nos últimos anos, têm sido efectuados vários estudos, por entidades competentes como sejam a WWN (World Wide for Nature) e o ISA (Instituto Superior de Agronomia), que apontam o Sobreiro, como solução para a desertificação do território Português.
As nossas florestas de Sobreiro, quando geridas de forma adequada, formam sistemas altamente sustentáveis em termos ecológicos e económicos, e são ainda geradoras de níveis elevados de biodiversidade.
Numa floresta de Sobreiro na zona de Grândola foram encontradas 264 espécies de fungos, 50 musgos, 308 plantas vasculares , 140 insectos, seis espécies de peixes, 12 anfíbios, 13 répteis, 73 aves e 14 mamíferos; rapinas ameaçadas, como a Águia de Bonelli e mamíferos como o Lince Ibérico, o felino mais ameaçado do mundo.
O Sobreiro tem ainda a particularidade de ser uma árvore que melhora a matéria orgânica dos solos ao retirar os nutrientes de níveis mais profundos, que devolvem aos solos com a queda das folhas, originando solo produtivo.
A importância do sobreiro é também significativa ao nível do ciclo hidrológico, facilitando a infiltração da água no solo, minimiza as suas perdas por escoamento superficial.
A sustentabilidade económica destas florestas, através da extracção de cortiça, a pecuária, caça, mel, plantas aromáticas e cogumelos, e mais recentemente o turismo, permite ainda que se travem os níveis de despovoamento.
Segundo a WWN, por forma a combater a desertificação do nosso território é necessário que, mais que manter, se aumentem as actuais florestas de Sobreiro, não só ao nível das sua mancha de distribuição, mas também em termos de densidade.
A WWN afirma ainda que em 2020, caso a gestão florestal das florestas de sobreiro seja inadequada, o avanço da desertificação será superior a mil metros por ano, o que no caso dum território pequeno como o nosso, é algo francamente assustador.
É preciso que as pessoas interiorizem duma vez por todas o velho ditado, muito conhecido em particular no Alentejo, que diz “Quem se preocupa com os seus netos, planta um sobreiro”.

7 comentários:

  1. Por mim, bastaria a questão estética para me convencer que a cultura do sobreiro é de inegável interesse público.
    É uma árvore de uma grande beleza, como aliás ali a foto do lado demonstra.

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  2. É verdade Ferreira-Pinto, é uma árvore belíssima e geradora de enorme riqueza (económica e acima de tudo ambiental) durante todo o seu ciclo de vida.
    Mas eu até sou suspeito, porque "ê cá sou chaparro" !

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  3. Óptimo texto, Eduardo.
    Concordo plenamente.
    E já agora, já assinaram a petição pelo direito à informação sobre o material da rolha (Petição pelas rolhas de cortiça nas garrafas de vinho)? Eu já.
    E fiquei muito aborrecida quando abri uma garrafa de rosé Lancers, de que por acaso até gosto, e só depois de "descascar" o invólucro é que vi que era tampa de rosca. Não compro mais vinho dessa marca.
    A petição é para que na garrafa se diga qual o material da rolha.
    Vamos lá a defender os nossos sobreiros.

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  4. Olá Eduardo!!!
    Que feliz que estou, pela sua exposição na defesa de algo que me é, que nos é tão precioso!
    Eduardo existe também no blogue Econsciência, está no meu perfil, nas postagens mais antigas uma petição pelo sobreiro e outras árvores autóctones, para reflorestação do País.
    Será que há meio de poder divulgar essa petição tão importante? Está já em páginas mais antigas, mas valia a pena divulgar.
    Obrigada pela sua abordagem, naquilo por que eu mais cuidados tenho... são todo um ecossistema... mas o pinheiro e o eucalipto... não dá! As autóctones são uma beleza e o sobreiro, "cést superbe"! ainda mais se trava o deserto!

    Gostei do seu comentário no Escrita em Dia, ao Paulo Pedroso ! ehehehehehehehehehe essa foi boa! :))

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  5. Fada,
    toca lá a desencantar essa petição e vamos tentando fazê-la circular o mais possível pelos contactos que temos. Pode se que o efeito "bola de neve" se encarregue do resto.
    Mas olhe que o "nosso" pinheirinho não é tão mau assim, e inclusivé desempenha um papel importantíssimo na reflosrestação, precisamente do sobreiro. Quando se pretende replantar sobreiro, devem de plantar-se também pinheiros porque se ajudam mutuamente nos seus primeiros tempos de crescimento. Sendo que, será depois necessário proceder-se ao abate de alguns dos pinheiros (nunca todos), para que as copas dos sobreiros "espreitem" melhor o sol e a folhagem ganhe força.

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  6. Está-se sempre a aprender... dessa eu não sabia!
    Mas já corre a notícia, que a doença do nemátodo já está a chegar ao Pinhal de Leiria... se for verdade, lá vai. Mas quanto a incêndios e junto ao eucalipto, como sabe são explosivos... acredito que o sobreiro faz o efeito contrário, por isso não há perigo.

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