20 de abril de 2010

Recibos anti-ecológicos.

Se é verdade que em termos da protecção ambiental todos nós devemos contribuir com pequenos gestos, que significam grandes mudanças, não é menos verdade que muitas das vezes os nossos Governos (e aqui falo no geral e não especificamente em Portugal) poderiam e deveriam fazer muito mais.
Uma das medidas que podia fazer grande diferença está na emissão de recibos de pagamento. Sempre que compramos qualquer bem, e sem que sequer exijamos recibo, ele é emitido e é-nos entregue. As quantidades verdadeiramente astronómicas de papel gasto com esta situação significam, por um lado uma despesa acrescida, por outro, e mais importante, um verdadeiro e gigantesco crime ambiental.
Bastava para tanto alterar a legislação para que a emissão do recibo só fosse obrigatória quando o cliente assim o exigisse. Seriam milhões de árvores que estaríamos a preservar e com isso a contribuir para a sustentabilidade do nosso planeta.

17 de abril de 2010

Sofás para a crise.

Parece-me, de facto, um investimento deveras adequado ao nosso país. Se levarmos em conta os PEC e contra-PEC que por aí hão-de vir, bem como as constantes promessas do nosso Ministro das Finanças de que a recuperação está já aí ao virar da esquina, e o raio da esquina ... nem vê-la !
Então, o melhor mesmo é esperarmos sentados. E de preferência no conforto dum belo sofá Made in Portugal.
Como vêem, parece-me que de facto se trata dum investimento coerente e com futuro.
Ó meu caro amigo, ao tempo que eu anseio que vossa excelência embarque nessa aventura. Parta homem, parta para bem longe daqui, que o Povo agradece-lhe.

E por falar em agradecimentos, quero deixar aqui o meu agradecimento ao empresário Carlos Aquino, o criador desta nova fábrica, que actualmente já emprega 650 trabalhadores e que passará a empregar no imediato mais 200, com a promessa de que outros 200 postos de trabalho serão criados até ao final do ano.

15 de abril de 2010

Uma questão de fé, ou de (falta de) inteligência ?

O produto da fé com a falta de inteligência e/ou conhecimento produz intolerância.
Contrariamente ao que é comum afirmar-se, eu acredito piamente que a necessidade da fé de que o Homem padece, não surgiu por acção das religiões. Antes pelo contrário, foi precisamente pela necessidade de fé que o Homem “inventou” as religiões.
Desde os tempos mais remotos que, sempre que o Homem se encontrou perante dificuldades superiores, recorreu à fé para as poder resolver. Quando o Homem é, pelas mais diversas razões, inculto ou mesmo pouco inteligente, e alia a isso uma fé inabalável na sua religião, então, é fácil e muito provável que surja a intolerância. Suportado pela sua fé, e perante a sua desinteligência ou desconhecimento sobre algo, esse Homem torna-se intransigente. E quanto mais forte é a sua fé, maior se torna a sua intolerância.

Serve isto para explicar duas questões que são, infelizmente, bastante actuais. A primeira, o radicalismo Islâmico que fez abanar o Mundo pela base com os seus ignóbeis ataques terroristas. A segunda, para a postura de intolerância com que muitos dos fiéis Católicos repudiam e tentam fechar os olhos (os deles e os dos outros) às evidências dos crimes de pedofilia na Santa Madre Igreja.

Perante tudo isto, é com muita satisfação, e porque não dizê-lo, inteligência, que eu grito a plenos pulmões :

- Graças a Deus que sou Ateu !

11 de abril de 2010

Fusão perfeita.

E quem diz que a música clássica não pode ser divertida ?
Na parte final, o "show" do Maestro é um espectáculo à parte !



Fantástico, não acham ?

7 de abril de 2010

Teatro da Terra - Ponte de Sôr

aqui havia mencionado a aposta na cultura feita pela Câmara Municipal de Ponte de Sôr. O projecto tem, felizmente, corrido bem e paralelamente foi criada a Companhia de Teatro da Terra.
É de louvar a iniciativa da Câmara, mas também é de louvar a coragem e a capacidade de trabalho e de criação que a artista Maria João Luís teve ao embarcar em tão audaz aventura.
Apostar na cultura é algo que tem faltado no nosso país, e um projecto desta natureza, numa zona do interior, merece todo o nosso respeito e apoio. E o melhor apoio que se pode dar nestas questões é tão simplesmente ir, ver, e aplaudir.
Aqui fica a ideia para um fim-de-semana diferente. Vá, conheça as belezas da zona de Ponte de Sôr, onde se destaca a encantadora Barragem de Montargil, e para programa nocturno, vá ao Teatro.
Estreia hoje, e estará em cena até ao próximo dia 18 deste mês a peça "A Maluquinha de Arroios".

2 de abril de 2010

Tradição (perdida) da Páscoa.

Se há tradição que vi perder-se no tempo e que hoje em dia recordo com imensa saudade, é precisamente uma tradição regional da Páscoa que era bastante comum, pelo menos na “minha” zona da Costa Vicentina Alentejana.
Tratava-se dos “contratos” que mais não eram que uma aposta ou acordo celebrado entre duas pessoas (normalmente a miudagem) onde era apostado, por norma, um pacote de amêndoas.
O “contrato” era normalmente celebrado durante esta semana que antecede a Páscoa, entre familiares e amigos, e obedecia a um ritual deveras engraçado. As pessoas que estabeleciam o contrato entre si tinham de enganchar os seus dedos mindinhos da mão direita e proferirem em uníssono a seguinte frase :

- Contrato, contrato, contrato farei Sábado Aleluia desmancharei.

No Sábado Aleluia, quando essas duas pessoas se vissem pela primeira vez, a que mais rapidamente gritasse para a outra “Ofereça”, era a que ganhava o “contrato”, sendo a perdedora obrigada a oferecer-lhe o pacote de amêndoas acordado.
Em famílias grandes, com imensos filhos, primos, tios, em que praticamente todos tinham celebrado contratos entre si, a manhã de Sábado Aleluia era uma verdadeira festa. Havia miúdos e graúdos escondidos nos mais recônditos cantos das casas e sótãos, nos quintais, nas quintarolas, em cima de árvores, atrás de muros, atrás dos poços (comuns naquelas pequenas quintinhas), enfim, por todo lado, e o grito “Ofereça” ia sendo ouvido aqui e ali em praticamente todas as casas, todas as ruas, em todos os lados.

E no Domingo de Páscoa, era ver os campeões, carregados de sacos de amêndoas que comiam com redobrado prazer e com um olhar de vitória sobre os perdedores.

Outros tempos !

30 de março de 2010

Alexandre Herculano

No passado dia 28 de Março, passaram 200 anos do nascimento de um dos maiores vultos da cultura Portuguesa, Alexandre Herculano.
Notabilizou-se sobretudo no romance histórico, mas também deixou obra no campo da poesia e ainda na história, tendo sido ele quem, em 1846, publicou a 1ª História de Portugal com base nos princípios da historiografia científica. De salientar ainda a sua extensa obra em formato de Opúsculos que constituem património impar na cultura Portuguesa do género.

Triste o País que deixa passar totalmente em branco esta data e não respeita a memória da sua própria cultura. Não tomei conhecimento de alguma iniciativa governativa que celebrasse o nascimento de Alexandre Herculano, e muito menos vi, li, ou ouvi, qualquer referência à mesma nos diversos meios de comunicação social.

Em sua memória aqui deixo uma citação por ele proferida, que se me apresenta perigosamente actual :

"Há épocas de tal corrupção, que, durante elas, talvez só o excesso do fanatismo possa, no meio da imoralidade triunfante, servir de escudo à nobreza e à dignidade das almas rijamente temperadas".

Parabéns Herculano.

21 de março de 2010

Faltas-me

Quero ter-te, sentir-te, possuir-te, gozar-te.
Não a qualquer preço, nem de qualquer forma, quero ter-te sim, mas com qualidade, com paz, com a sabedoria e a mestria daqueles, poucos, que realmente te amam e que, ao fim e ao cabo, te merecem.
Quanto mais por mim passas, mais te desejo, mas não assim como agora nos relacionamos, assim não, assim custas-me, massacras-me, molestas-me.
Não fazes por mal, bem sei, são as circunstancias da vida que a isto levaram.
Cumpre-me a mim mudar, saber esperar, mas nunca desistir de ti, isso nunca. Se o fizesse morreria fulminado pelo desgosto no instante seguinte.
Irei em tua busca o mais rápido que posso, mas bem sei que para te ter como te desejo não posso queimar etapas, tudo terá de ser vivido e sentido plenamente para que, quando finalmente pudermos consumar a nossa relação, tu e eu estejamos na mais perfeita sintonia e nos possamos fundir num só para todo o sempre.
Lá chegaremos, meu querido ... TEMPO.

18 de março de 2010

Verdadeiramente incrível.

Há muito tempo que não era surpreendido de tal forma com um "joguinho" online.
Para mim, que sou profissional no ramo da Informática há quase uma vintena de anos, só posso ficar deslumbrado com este "jogo", com a sua enorme base de dados, e com a forma inteligente como a mesma é explorada.

cliquem aqui

p.s.
até com o Zézé Camarinha isto funcionou, espectacular !

15 de março de 2010

Stand by me - experiência musical fantástica

Absolutamente impressionante, quer a nível técnico, quer a nível musical.
Trata-se de um grupo de pessoas, que não se conhecem entre si. É aqui que entram os técnicos de som e imagem voluntários e sem remuneração, que se ocuparam de captar o som de cada um dos "cantores", individualmente e a nível mundial (uma vez que são actuações ao ar livre e isso é extremamente difícil de fazer sem "ruídos exteriores"). Posto isto e remisturado, atingindo um nível de pureza musical notável, chegamos a esta maravilha musical conseguida através de alta tecnologia, e que num instante, junta as pessoas de todo o mundo, fazendo-as sentir e falar ao mesmo tempo a mesma linguagem universal... a música.



11 de março de 2010

Os Convencidos da Vida

Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.
Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?

(...) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil.
Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.
Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi.

Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim"

9 de março de 2010

Novo Blogue

Caros amigos, no seguimento dum honroso convite que me foi feito, e que aceitei com satisfação, vou passar a estar aqui, tentando no entanto manter neste novo projecto colectivo o mesmo registo com que sempre me apresentei neste meu querido cantinho do chegateaqui.
Por razões de carácter mais sentimental que racional vou, por enquanto, manter o chegateaqui, embora esteja fortemente inclinado a alterar o tipo de posts que aqui colocarei, bem como a sua frequência.
Penso que doravante este passará a ser um espaço mais pessoal, mais virado para a cultura, e para o meu "eu".
Agradeço a todos os que me têm feito companhia por aqui, e deixo-vos desde já um duplo convite.
Continuem a vir aqui, e já agora passem a visitar-me acolá

7 de março de 2010

Maus hábitos

Preocupa-me o facto de muito se falar na crise, muito se falar no atraso estrutural e competitivo de Portugal em relação aos demais companheiros Europeus, mas nada, ou quase nada, ser feito para eliminar alguns "tiques", ou melhor dizendo, maus hábitos, que nos conduziram a este estado actual.
Há comportamentos enraizados na nossa sociedade, em particular nas empresas, que contribuem de maneira significativa para esta situação. Hoje, gostaria de enfatizar aqui um deles que, penso eu, é bem demonstrativo da forma errada e enviesada como nós nos gerimos e/ou somos geridos.
Seja em que profissão for, em particular em áreas onde se costume fazer reuniões de acompanhamento dos trabalhos, há um hábito, há muito instalado, de se fazer uma reunião de ponto de situação à sexta-feira. Serve normalmente essa reunião para se aferir do que é que foi feito durante essa semana e, na maior parte das vezes, encontrar culpados para o que eventualmente tenha corrido menos bem nesse período de tempo.
Há décadas que isto é assim e os resultados estão à vista, a esmagadora maioria das nossas empresas não são competitivas.
O que eu gostaria de ver acontecer, neste ponto em particular, era a transferência da "reunião de ponto de situação (da 6ª feira)" para a "reunião de definição de estratégias para a semana de trabalho (de 2ª feira)".
É que em vez de andarmos todos à caça das bruxas na 6ª feira, perdendo umas boas horas de trabalho e criando condições para que muita gente passe o fim de semana com azia, teríamos muito mais a ganhar se começássemos a semana a traçar metas e objectivos bem claros para a semana de trabalho que se avizinha, esclarecendo as pessoas sobre o que se espera delas para esse período de tempo e dando-lhes, inclusivamente, um factor motivacional extra que é o de saberem de forma clara e inequívoca o que têm para fazer e quais os resultados que deverão alcançar.

4 de março de 2010

Poesia de Mário de Andrade


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, o essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

2 de março de 2010

Recordações

Andava eu a vasculhar pelos meandros da Net, quando me deparei com esta relíquia que aqui vos mostro abaixo.


Trata-se duma foto da "famosa" equipa de futebol do União Futebol Clube "Os Pastilhas". Para os mais entendidos em matéria de futebol, saberão com certeza que se tratou do 1º clube onde jogou o nosso conhecido Luís Figo.
E a comprová-lo ai está ele, em baixo, o 2º a contar da direita.

Mas não é esse o motivo que faz desta uma foto famosa, se atentarem bem, também na fila de baixo, o 1º da esquerda, que ostentava garbosamente a braçadeira de capitão (e uma "trunfa" à Maradona) é que era o mais ilustre dos jogadores de grande quilate que ali pontificaram :-))))

Digam lá se aqui este vosso amigo não tinha pinta de jogador ?

Belos tempos ... e pensar eu que o meu amigo de infância, Luís Figo (mais novo que eu quase 3 anos), já se reformou !!!

Ai ai !!! quem me manda ter agarrado aos livros em vez da bola ....